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Outra contribuição kafkIAna

Numa carta de final de janeiro de 1913, Kafka – sempre interessado no trabalho de Felice Bauer – resolve coligir algumas "ideias de negócio" como sugestões à firma Lindström. Abaixo, traduzo a quinta e última. Isso porque, em tempos de Moltbook, a imaginação kafkiana – com seu telefonema mantido por duas máquinas – se revela, mais uma vez, bastante preditiva.

5. Inventa-se uma conexão entre o telefone e o parlógrafo, o que decerto não há de ser difícil. Tenho certeza que, depois de amanhã, você me avisará que funcionou. Isso teria, obviamente, enorme implicação para redações, agências de notícias etc. Mais difícil, mas bem possível, seria uma conexão entre o gramofone e o telefone. Difícil porque não se entende absolutamente o gramofone e não se pode pedir pronúncia clara a um parlógrafo. E uma ligação entre gramof. e telefone não teria grande importância geral; seria um alívio apenas para aqueles que, como eu, tem medo do telefone. Todavia, pessoas como eu também têm medo do gramofone e a elas não se tem como ajudar de modo algum. Por sinal, é bem bonitinha a ideia de que um parlógrafo em Berlim vá ao telefone e, em Praga, um gramofone, e esses dois mantenham uma pequena conversa entre si. Mas, querida, a conexão entre parlógrafo e telefone tem de ser inventada de qualquer jeito.
Kafka, 2015, p. 269
F. Kafka. Briefe an Felice Bauer. Fischer, 2015.

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